segunda-feira, 29 de julho de 2013

Dear me

Pequena menina de 16 anos, criticada, mal-tratada, odiada. Cometeu erros e é julgada por isso, tentou remediar tudo, mas todos ignoram. Ela cresceu, conseguiram muitas vezes manda-la a baixo, ela ficou bem lá no fundo, mas conseguiu dar a volta e está no topo outra vez. Acho-a uma rapariga forte e sabem porquê ? Porque mesmo com o que todos lhe fazem ela consegue sair à rua com um sorriso na cara. Mas é triste ao mesmo tempo sabem ?! Mesmo tendo amigos que a adoram à sua volta, existem sempre mais as pessoas que a menosprezam, são mais as que se riem na cara dela, aquela pequena e frágil menina sente-se sozinha, sente-se incompreendida. Imaginem o que é passar por o que ela passou e passa, pois não sabem não é verdade ? Então eu vou-vos contar:
 Ela tinha 5 anos quando entrou pela primeira vez na escola primária, aquele nosso ano que todos gostavam de voltar atrás não é ? Para ela também, mas entrou uma rapariga nova na mesma escola que ela, vamos chamá-la de 'mag', conseguiu dar a volta a todos e deixar esta pequena menina sozinha, sem amigos, sem nada, foi assim o ano inteiro. Quando começou o seu segundo ano, as coisas acalmaram, começou a conhecer mais gente, finalmente parecia uma criança normal com um sorriso na cara e a brincar. Foi então que a 'mag' não gostou e começou a bater na menina. Foi assim até ao fim do seu quarto ano. A frágil menina ia para casa e trancava-se no quarto a chorar, cheia de arranhões e toda esfolada por ser atirada ao chão, com as costas marcadas por levar com pedras e cadeiras, com o pescoço em ferida por a 'mag' lhe atar cordas ao pescoço. Já viram o que é uma menina entre os 5 e os 9 anos passar por isto ? Sem razão nenhuma ? Só porque queria ter amigos comos todas as outras crianças ? Pois, mas nada acabou ali.
A 'mag' mais uma vez tinha ficado da turma dela no 5º e no 6º. Desta vez não lhe batia, nada disso, apenas gozava com ela, fê-la convencer-se a si própria que era horrivel, nojenta, gorda e que ninguém gostava dela. Uma menina de 10/11 anos tinha virado búlimica e anórectica, andou em psicologos e apenas a dança a acalmava, era o seu pequeno mundinho onde podia ser o que queria sem que ninguém a julgasse mas deixou a dança e isso a deixou em baixo até encontrar alguém que realmente a apoiasse em tudo. A menina cresceu, e cresceu e continuou a crescer até chegar onde chegou agora. Mesmo tendo várias 'mags' agora.
E deixando a sua pequena vidinha de lado, não foi só isso que lhe aconteceu. Sim, houve mais. Com apenas 12 ou 13 aninhos, a menina ia perdendo o pai. Ela só se lembra de a mãe lhe ligar a chorar a dizer que o pai estava no hospital e eram poucas as probabilidades de sobreviver. Ele tinha perdido muito sangue, e como tem um tipo de sangue raro não o estavam a conseguir repor. A menina não tinha permissão para ver o pai, ficou quase um mês sem poder olhar para os olhos dele e quando finalmente pode ele estava muito fraco mas lá voltou para casa. Para ajudar nisto tudo a mãe da menina exactamente um mês depois foi para o hospital também, tinha que ser operada, e esteve num estado muito mau em que só pensava que podia perder a mãe. A menina ia ver a mãe todos os dias, houve dias que até ficava lá horas a olhar para mãe a dormir com medo de não a ver a acordar. Todos os dias que a menina lá ia a mãe abraçava-a a chorar a dizer para ela ser uma menina grande e que a amava não importava o que acontece-se. Com estas palavras a menina perdeu a esperança, era uma criança não sabia o que pensar exactamente, apanhou uma depressão enorme. Não conseguia comer, não conseguia andar bem, estava fraca, muito fraca. Sem a mãe ela não era nada. O pai era ausênte então não se apercebia de nada. Foi então que a menina se começou a cortar, todo o corpo dela ela uma cicatriz, criticavam-na por isso e sem saberem o porquê, ela não aguentava mais. Um dia, enquanto tomava banho, encheu a banheira até a cima e deixou-se lá ficar. Pegou numa pequena lamina e cortou os pulsos. A água transparente tinha passado a um vermelho vivo. A menina ficou lá algum tempo e a pequena irmão, de 8 anos, achou estranho então foi ver o que se passava. A irmãzinha dela tinha chegado a tempo, a frágil menina tinha acabado de desmaiar, a sua irmã teve a reação de esvasiar a banheira e enrolar os pulsos da menina em toalhas, pegou no choveiro e molhou a menina com àgua fria para ela acordar e quando acordou a pequena abraçou-se à irmã mais velha a chorar e disse "mana, eu ia perdendo o papá e agora a mamã, por favor não me obrigues a ficar sem ti também". AO ouvir aquilo a menina acordou. a menina cresceu ela percebeu que tinha que estar ali, ciente de tudo para ajudar a irmãzinha a superar tudo. E assim foi.
A pequena e frágil menina, continua frágil, mas mesmo frágil consegue superar tudo. Muitos a criticam e não sabem a sua história, mas e agora ? Iriam continuar a criticar como criticam ? A menina não é perfeita, a menina cometeu muitos erros. mas errar é humano, e ela é humana. Ela (...) Sou eu.

*relatos de uma menina*